Em resumo:
- A regra da publicidade médica mudou e muita gente ainda ensina a versão antiga. Desde 11 de março de 2024, com a Resolução CFM nº 2.336/2023, o médico pode divulgar o valor da consulta, anunciar descontos em campanha, publicar “antes e depois” com finalidade educativa, repostar depoimento de paciente e mostrar equipamentos e ambiente de trabalho — tudo sob condições específicas.
- O que continua vedado é o que promete resultado. Garantir ou insinuar bom resultado, atribuir capacidade privilegiada a aparelhos, sensacionalismo, listas de “melhor médico” e exposição de procedimento em andamento seguem proibidos, mesmo com autorização do paciente.
- O paciente não procura “médico”. Ele procura a especialidade — “oftalmologista” tem 201.000 buscas mensais no Brasil, “cardiologista” e “pediatra” 33.100 cada — ou procura por proximidade. Já “médico + cidade” é residual: 170 buscas em Porto Alegre, 70 em Pelotas.
- Por isso o canal que sustenta consultório não é o que faz volume de post, e sim o que aparece na hora em que a pessoa está decidindo: perfil no Maps, busca orgânica e, cada vez mais, a resposta gerada por IA.
Marketing médico é o assunto em que mais se repete informação vencida. Boa parte do que circula em curso e post de agência descreve um conjunto de regras que o Conselho Federal de Medicina já revogou — e, do outro lado, propõe táticas de rede social que geram engajamento sem gerar consulta.
Este artigo faz duas coisas que aquele material costuma não fazer: parte da resolução que está em vigor hoje e mede onde o paciente de fato procura. As duas mudam bastante a lista de prioridades.
O que é marketing médico
Marketing médico é o conjunto de ações que torna um profissional ou serviço de saúde conhecido e escolhido — dentro dos limites do Código de Ética Médica e das resoluções do CFM sobre publicidade.
A diferença para o marketing de outros setores não é de técnica, é de restrição. Um restaurante pode prometer a melhor experiência da cidade. Um médico não pode prometer nem insinuar resultado. Isso elimina de saída a maior parte do repertório publicitário convencional e empurra o trabalho para outro lugar: ser encontrado e ser confiável, em vez de ser persuasivo.
A regra mudou em 2024 — e boa parte do conteúdo ainda ensina a antiga
A Resolução CFM nº 2.336/2023 entrou em vigor em 11 de março de 2024 e reescreveu boa parte do que se entendia por publicidade médica. Ela separa “publicidade” (divulgar estrutura, serviços e qualificações) de “propaganda” (divulgar assunto de interesse médico) e flexibiliza vários pontos que antes eram tratados como proibição absoluta.
O que passou a ser permitido
- Valor da consulta, meios e formas de pagamento — e também anúncio de descontos em campanhas promocionais.
- Imagens de “antes e depois”, com finalidade educativa, desde que acompanhadas de indicações e de evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, sem imagem manipulada e sem que o paciente seja reconhecível.
- Repostagem de depoimentos e elogios de pacientes, desde que sóbrios e sem adjetivos que denotem superioridade ou insinuem promessa de resultado.
- Selfies e autorretratos, sem sensacionalismo ou concorrência desleal.
- Equipamentos e recursos tecnológicos aprovados pela Anvisa, além de características do local e portfólio de atendimento.
- Formar e manter clientela em redes próprias, comprar espaço em veículos de comunicação e dar entrevistas com finalidade educativa ou de promoção da saúde.
- Qualificação técnica — diplomas, especialidades e RQE —, com exigência de CRM e RQE na página principal do perfil em redes sociais, blog e site.
O que continua vedado
- Garantir, prometer ou insinuar bons resultados de tratamento — a proibição central, e a que mais derruba campanha bem-intencionada.
- Atribuir capacidade privilegiada a aparelhos ou técnicas.
- Sensacionalismo, incluindo representações visuais que induzam à percepção de garantia de resultado.
- Expor imagens de consultas e procedimentos em andamento, ainda que com autorização do paciente.
- Divulgar método ou técnica não reconhecidos pelo CFM, práticas “revolucionárias” ou milagrosas, e equipamento sem registro na Anvisa.
- Constar em listas de premiação do tipo “médico do ano” ou “melhor médico” — inclusive deixar de impedir que isso aconteça.
- Divulgar que trata de órgãos, sistemas ou doenças específicas quando não for especialista na área.
Por que isso importa na prática
Duas consequências diretas.
A primeira: se o seu material de marketing foi escrito antes de março de 2024, ele provavelmente está te limitando à toa. Muita clínica ainda evita publicar preço por acreditar que é proibido — quando publicar preço é hoje explicitamente permitido, e resolve uma das maiores fricções do paciente particular.
A segunda: a permissão vem sempre acompanhada de condição. “Antes e depois” liberado não significa “antes e depois” livre — significa com texto educativo, com as complicações possíveis e sem paciente reconhecível. É o tipo de detalhe em que agência generalista escorrega, e o risco é do médico, não dela.
Este texto descreve o teor da resolução para orientar decisão de comunicação; não substitui a leitura da íntegra nem a consulta ao seu Conselho Regional.
Onde o paciente realmente procura
Medimos o volume de busca no Google Brasil, em português:
| Como a pessoa busca | Buscas/mês |
|---|---|
| oftalmologista | 201.000 |
| cardiologista | 33.100 |
| pediatra | 33.100 |
| dermatologista perto de mim | 8.100 |
| médico porto alegre | 170 |
| médico pelotas | 70 |
Duas leituras saem daí.
O paciente busca a especialidade, não a profissão. Ninguém digita “médico” — digita “oftalmologista”, “cardiologista”, “pediatra”. E esses termos, sozinhos, sem nome de cidade, carregam volume alto porque o Google entende a intenção local e devolve o mapa com os profissionais da região de quem buscou.
“Médico + cidade” é residual. Setenta buscas mensais numa cidade de 340 mil habitantes. Quem monta a estratégia inteira em cima de páginas “[especialidade] em [cidade]” está disputando a menor fatia — e essa fatia encolhe proporcionalmente quanto maior a cidade, como detalhamos em SEO local.
Os canais, e o que cada um entrega
| Canal | Entrega | Limite |
|---|---|---|
| Perfil no Google / Maps | Aparecer no momento da decisão, com avaliações e telefone à mão | Depende de proximidade; exige manutenção constante |
| Busca orgânica (site e conteúdo) | Ser encontrado por quem pesquisa sintoma, procedimento ou dúvida | Retorno em meses, não em semanas |
| Redes sociais | Relacionamento e prova social com quem já te conhece | Alcance decrescente; pouco captura demanda nova |
| Anúncios | Volume imediato e previsível | Para quando o pagamento para; restrições de saúde na plataforma |
| Indicação | A maior taxa de conversão de todas | Não escala nem se controla |
Nenhum deles é dispensável. O que muda é a ordem: os dois primeiros capturam quem já decidiu que precisa de um médico e está escolhendo qual — que é o momento mais barato de ganhar um paciente.
Por que a busca é o canal que acumula
Um post rende no dia em que sai. Uma página bem posicionada rende todo mês, sem custo marginal, e vai ficando mais forte conforme acumula sinal.
Para médico há um segundo motivo, mais específico: a busca é onde a restrição do CFM atrapalha menos. Conteúdo que explica um procedimento, esclarece uma dúvida ou descreve uma condição é exatamente o que a resolução chama de finalidade educativa — permitido, e ao mesmo tempo o formato que a busca premia. O canal e a regra apontam para o mesmo lugar.
O que muda quando o paciente pergunta para uma IA
Uma parte crescente dessa pesquisa deixou de acontecer na lista de links. O paciente pergunta ao ChatGPT ou ao Google AI Mode qual profissional procurar para determinado sintoma, e recebe uma resposta redigida — com dois ou três nomes dentro, ou nenhum.
Nesse formato não existe segunda página: ou o profissional é citado, ou não existe naquela consulta. Os critérios são diferentes dos do SEO clássico — pesam identidade bem declarada, autoridade verificável e consistência entre fontes. Tratamos isso em profundidade em SEO para médicos e, do ponto de vista da disciplina, em GEO e SEO.
Por onde começar
- Revisar o que hoje está no ar contra a resolução vigente. Retirar o que promete resultado; e reavaliar o que foi evitado à toa por causa de regra antiga, como preço de consulta.
- Perfil no Google antes de qualquer campanha. Especialidade correta como categoria, endereço e horário reais, fotos próprias, protocolo de avaliações. É o que responde à busca por especialidade e por proximidade — e é trabalho de especialista em Google Meu Negócio.
- CRM e RQE visíveis no site e no perfil de rede social. É exigência da resolução e, de quebra, sinal de identidade que buscadores e IAs usam para confiar.
- Conteúdo por especialidade e por dúvida real, não por calendário de datas comemorativas. Um texto que responde bem “quando procurar um cardiologista” trabalha por anos.
- Medir o que chega — de onde vem o contato, quantas consultas ele gerou. Sem isso, qualquer canal parece funcionar.
Perguntas frequentes
Médico pode divulgar o preço da consulta?
Pode. A Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, permite divulgar valores de consultas, meios e formas de pagamento, e até anunciar descontos em campanhas promocionais. É uma das mudanças mais relevantes e das menos conhecidas — muita clínica ainda evita por acreditar que segue proibido.
Pode publicar “antes e depois”?
Pode, com condições. A imagem precisa ter finalidade educativa, estar ligada à especialidade registrada, não ser manipulada, não permitir reconhecer o paciente e vir acompanhada de indicações e das evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações possíveis. Publicar só o resultado bom, isolado, continua sendo problema — porque aí vira promessa de resultado.
Marketing médico funciona sem rede social?
Funciona. Rede social serve principalmente a quem já conhece o profissional. Quem ainda não conhece encontra pela busca e pelo mapa — que é onde estão os volumes da tabela acima. O caminho inverso, viver só de rede social, é o que costuma gerar muita audiência e pouca agenda.
Quanto tempo leva para dar resultado?
Ajustes de perfil no Google costumam refletir em semanas. Conteúdo e autoridade se acumulam em meses — normalmente de seis a doze até virar fluxo estável. Qualquer promessa de agenda cheia em trinta dias por via orgânica merece desconfiança.
Preciso de site se já tenho perfil no Google?
O perfil ganha a vaga no mapa e o clique; o site é o que converte quem quer pesquisar antes de marcar, e é uma das fontes que buscadores e IAs cruzam para confirmar quem você é. Perfil sem site rende no começo e trava depois.
Sobre o autor
Cléviston Pierobom é Consultor de SEO para IAs, especializado em posicionar profissionais liberais e empresas no Google e nas respostas das IAs (ChatGPT, Perplexity, Gemini, Google AI Mode). É fundador da Pier Digital, sediada em Pelotas – RS, com atuação em todo o Brasil.
Criador do Método Dominus, sistema proprietário de 12 meses que integra criação de sites com fundação técnica para SEO, otimização de Google Meu Negócio e estratégia contínua de conteúdo. Conheça a trajetória de Cléviston Pierobom ou solicite um Diagnóstico Estratégico gratuito.