Marketing para terapeutas: como divulgar o seu trabalho dentro das regras

Cléviston Pierobom, consultor de SEO para IAs em Pelotas/RS
Cléviston Pierobom

Consultor de SEO para IAs e fundador da Pier Digital.
Criador do Método Dominus, sistema para posicionar profissionais liberais e empresas no Google e nas IAs.

Marketing para terapeutas: terapeuta sorri ao olhar o celular numa sala de atendimento com duas poltronas e plantas, com um laptop aberto num site de consultório com ícone de mapa

Marketing para terapeutas: sem conselho, mas não sem regra

Marketing para terapeutas tem uma particularidade que muda o jeito de divulgar. Médicos, dentistas, advogados e psicólogos anunciam o próprio trabalho dentro de regras escritas pelos seus conselhos. O terapeuta holístico, integrativo, sistêmico ou de casal e família não tem esse manual: não é profissão regulamentada por lei no Brasil, e não existe conselho profissional com poder de fiscalizar quem usa esses títulos.

Isso não quer dizer que tudo é permitido. O Código de Defesa do Consumidor vale para qualquer prestador de serviço, a Lei Geral de Proteção de Dados vale para qualquer formulário e depoimento, e algumas atividades são reservadas por lei a outras profissões. Quem divulga terapia sem conhecer essas linhas corre o risco de publicar no próprio site uma promessa que não consegue sustentar.

Neste artigo você vai ver:

  • Como divulgar o trabalho a partir do que as pessoas digitam no Google.
  • O que um site precisa responder para quem chega sem conhecer você.
  • Onde o Google e as IAs entram, e por que o Perfil da Empresa não serve a quem atende só online.
  • As dúvidas de limite que aparecem na busca: título de doutor, laudo, diagnóstico, atestado e MEI.
  • A fronteira entre terapia sistêmica e psicologia, e o que ela muda na divulgação.

Um aviso antes de seguir: este texto organiza o que as fontes primárias dizem, com o link para cada uma. Ele não substitui a orientação de um advogado ou de um contador para o seu caso.

Como divulgar meu trabalho de terapeuta: comece pelo que as pessoas digitam

A pergunta como divulgar meu trabalho de terapeuta tem uma irmã mais útil: como a pessoa que precisa do seu atendimento procura por ele. Parte da resposta está no próprio Google, em dois lugares que dá para medir: o volume de buscas e as sugestões que aparecem enquanto se digita. Um plano de marketing para terapeutas tende a ficar mais firme quando parte desse vocabulário.

O que o volume de busca mostra

Medimos, em setembro de 2026, o volume mensal de buscas no Brasil para termos dos dois lados da conversa: os que nomeiam a terapia ou o profissional e os que falam de divulgação. A ferramenta do Google agrupa variações muito próximas num mesmo número, por isso alguns pares aparecem juntos na tabela.

Termo buscado Do que o termo trata Buscas por mês no Brasil
terapia de casal / terapeuta de casal A terapia ou o profissional 18.100
terapias holísticas / terapeuta holístico A terapia ou o profissional 18.100
terapias integrativas A terapia 5.400
terapia familiar / terapeuta familiar A terapia ou o profissional 2.900
terapeuta integrativo O profissional 320
site para terapeutas Divulgação 50
marketing para terapeutas Divulgação 40
terapeuta sistêmico O profissional 30
como divulgar meu trabalho de terapeuta Divulgação 10

Os termos de divulgação ficam na casa das dezenas; os quatro primeiros da tabela, que nomeiam a terapia ou o profissional, chegam aos milhares, e terapeuta integrativo e terapeuta sistêmico ficam bem abaixo disso. Volume alto, porém, não mostra quem busca: parte dessas buscas pode vir de quem estuda a abordagem ou só tem curiosidade pelo tema. Por isso o que o seu site, o seu perfil e os seus textos precisam carregar é o nome que o seu cliente usa para procurar o atendimento, como terapia de casal, e não simplesmente o termo de maior volume.

Uma ressalva de leitura: termo ligado a saúde às vezes vem com volume suprimido na ferramenta. Número baixo ou vazio não prova que ninguém procura.

O que as sugestões do Google revelam

O autocompletar mostra o que as pessoas começam a digitar. Ao escrever “terapeuta pode”, em setembro de 2026, o Google sugeriu, entre outras:

  • terapeuta pode ser MEI
  • terapeuta pode ser chamado de doutor
  • terapeuta pode dar atestado
  • terapeuta pode dar laudo
  • terapeuta pode dar diagnóstico

Em “terapeuta holistico”, uma das sugestões foi “terapeuta holistico pode ser mei”. Em “terapeuta sistemico”, apareceu “terapeuta sistêmica é psicologo”. São perguntas de limite, e cada uma tem resposta mais abaixo, com a fonte. Para a divulgação, a leitura é prática: se a pergunta existe na busca, uma resposta clara e honesta no seu site tem onde ser encontrada.

Os canais, na ordem em que um sustenta o outro

Em vez de começar escolhendo uma rede social, monte uma sequência em que cada peça aponta para a próxima:

  1. Uma descrição precisa do que você faz. O nome da prática, a formação que você tem de fato, para quem é o atendimento, onde e como ele acontece. Tudo o que vem depois repete esta frase.
  2. Um site próprio, no seu domínio, que responda as perguntas de quem ainda não conhece você.
  3. O Perfil da Empresa no Google, se você recebe clientes presencialmente num endereço.
  4. Conteúdo que responde dúvidas reais do seu tema, publicado no site.
  5. Redes sociais e indicações apontando para o site, onde a informação completa mora.

A ordem importa porque a rede social e a indicação levam a pessoa até você, e o que ela encontra quando chega pesa na decisão de entrar em contato. O mesmo vale para o Perfil da Empresa no Google: perfil sem site é placa na rua apontando para uma porta fechada.

Site para terapeutas: o que cada página precisa responder

Um site para terapeutas trabalha para quem ainda não conhece você. Quem chegou por indicação tem a quem perguntar; quem chegou por uma busca tem só a página. Por isso o site precisa responder, sem rodeio, as perguntas que vêm antes do primeiro contato.

Página Pergunta que ela responde O que colocar
Início O que esta pessoa faz, e para quem? O nome da prática como ela é buscada, a cidade ou o atendimento online, e o caminho para o contato
Sobre Quem é você, e onde se formou? A formação real, com o nome dos cursos e das instituições, e a sua trajetória
Uma página por prática Isto serve para o meu caso? O que é a prática, como é o atendimento e o que ela não promete
Contato Onde, quando e como? Endereço ou atendimento online, horários, canal de contato e aviso de privacidade
Conteúdo A minha dúvida tem resposta aqui? Textos que respondem as perguntas do seu tema, com fonte

Três cuidados técnicos pedem atenção desde o início:

  • Uma página para cada prática. Uma página genérica tentando responder ao mesmo tempo por terapia de casal, terapia familiar e terapias integrativas não deixa claro, nem para a pessoa nem para o Google, do que ela trata.
  • Dados estruturados coerentes com o texto. A marcação no padrão Schema.org declara quem é o profissional e organiza perguntas e respostas. O Google afirma que não existe marcação obrigatória para aparecer no AI Overviews ou no Modo IA. O que a marcação faz é remover ambiguidade, e ela precisa dizer o mesmo que a página mostra.
  • Formulário que pede só o necessário. Para marcar uma conversa, nome e contato já permitem o retorno. Se o formulário pedir detalhes de saúde, ele passa a coletar dado sensível, assunto de uma seção mais abaixo.

É o caminho que seguimos na criação de sites da Pier Digital: a arquitetura de páginas é planejada antes de qualquer decisão visual, cada página nasce para uma intenção de busca específica, e os dados estruturados e o desempenho no celular são configurados desde a primeira linha.

Marketing digital para terapeutas: Google, Maps e respostas de IA

Marketing digital para terapeutas passa por três superfícies: o mapa, a busca com resposta de IA e o anúncio pago. Cada uma tem a sua regra de entrada, e vale conhecer a regra antes de investir tempo no canal.

Perfil da Empresa no Google exige atendimento presencial

O Perfil da Empresa no Google, o antigo Google Meu Negócio, é a ficha que coloca o negócio no Maps e no bloco de resultados locais. Ele tem uma regra de elegibilidade que decide a questão para quem trabalha online. Nas diretrizes de qualificação do Google, na versão em inglês, a frase é esta: “To qualify for a Business Profile, a business must make in-person contact with customers during its stated hours”. Ou seja, para ter o perfil, o negócio precisa ter contato presencial com os clientes durante o horário informado.

Na prática:

  • Atende num consultório ou numa sala, com horário: o perfil faz sentido, e o endereço declarado precisa ser o lugar onde o atendimento acontece.
  • Atende presencialmente e também online: o perfil vale para a parte presencial do trabalho.
  • Atende só online: pela regra do Google, você não se qualifica para o perfil. O esforço vai para o site e para o conteúdo, que não dependem de endereço.

Se você atende presencialmente e ainda não tem ficha, o passo a passo está em como colocar sua empresa no Google. Para entender como ficha e site trabalham juntos na busca da sua cidade, veja o guia de SEO local.

Conteúdo que responde a dúvida de quem procura

Quando pesquisamos “marketing para terapeutas” e “terapeuta sistêmica é psicólogo”, em setembro de 2026, o Google exibiu nas duas buscas uma resposta gerada por IA acima dos resultados comuns. O que medimos foi a presença dessa resposta. Como mecanismo, ela é sintetizada a partir de páginas do índice do Google, com links para as fontes que usou.

Para um terapeuta, isso quer dizer que um texto no próprio site, respondendo com precisão uma pergunta do seu tema, tem chance de ser lido pela busca e pelas IAs. ChatGPT, Perplexity, Gemini e o Modo IA do Google combinam o que está no site com sinais de outras fontes, e a coerência entre elas pesa na hora de citar alguém. O mecanismo está explicado em como as IAs decidem quem citar, e a disciplina que organiza esse trabalho é o SEO para IAs.

As sugestões do Google citadas acima são um bom ponto de partida de pauta: cada uma pode virar um texto que responde com fonte, sem prometer resultado de atendimento.

Anúncio pago e a política de saúde do Google

Anunciar no Google tem regra própria. A política de saúde do Google Ads não permite a promoção de tratamentos médicos especulativos ou experimentais. Um anúncio que apresente uma prática terapêutica como cura, tratamento ou prevenção de uma doença pode esbarrar nessa política e ser reprovado, além do risco jurídico que a próxima seção explica.

Se você não sabe o que o Google mostra hoje quando alguém busca pela sua prática, essa é a leitura que fazemos no Diagnóstico Estratégico gratuito da Pier Digital, antes de propor qualquer trabalho.

Marketing para terapeutas holísticos: descrever a prática sem prometer resultado

O ponto sensível do marketing para terapeutas holísticos é a distância entre descrever a prática e prometer o efeito dela. Palavras como “cura” e “resolve” num anúncio deixam de ser só uma questão de tom. Toda publicidade de serviço responde ao Código de Defesa do Consumidor, com ou sem conselho de classe.

O que o Código de Defesa do Consumidor exige de qualquer divulgação

Quatro artigos do Código de Defesa do Consumidor cobrem o essencial:

  • Art. 30: a informação suficientemente precisa que você publica obriga quem a veicula e integra o contrato que vier a ser celebrado. O que está no site vira compromisso.
  • Art. 36, parágrafo único: quem anuncia mantém em seu poder os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem.
  • Art. 37: é proibida a publicidade enganosa ou abusiva. É enganosa a que for capaz de induzir em erro sobre natureza, características, qualidade ou origem do serviço, inclusive por omissão. É abusiva, entre outras, a que explora o medo ou a superstição.
  • Art. 38: o ônus de provar que a comunicação é verdadeira e correta cabe a quem a patrocina.

Traduzindo para o seu site: cada promessa precisa de sustentação que você consiga mostrar, a formação deve aparecer como ela é, e o texto não pode usar o medo para empurrar alguém para o agendamento. Nomear o curso e a instituição em que você se formou não é exigência do CDC; é uma recomendação nossa, porque ajuda quem lê a entender a formação que você tem. Descrever como é uma sessão, para quem ela é pensada e o que ela não substitui é informação. Prometer resultado é compromisso, e o art. 30 cobra.

Depoimentos e formulários: dado de saúde é dado sensível

A Lei Geral de Proteção de Dados classifica como dado pessoal sensível o “dado referente à saúde” (art. 5º, II). Para usar esse tipo de dado na divulgação, a base legal típica é o consentimento do titular, dado “de forma específica e destacada, para finalidades específicas” (art. 11, I).

Dois pontos em que isso aparece no marketing:

  • Depoimento de cliente que menciona uma condição de saúde. O caminho é o consentimento específico e destacado para aquela publicação, não uma autorização genérica dada numa conversa.
  • Formulário de contato que pergunta sobre sintomas ou histórico. Se a informação não é necessária para marcar a conversa, não pergunte.

MEI: o que diz a lista oficial de ocupações

A dúvida aparece no autocompletar, e a resposta está numa lista oficial. As ocupações permitidas ao MEI estão no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018. Na leitura do documento, em setembro de 2026, não há nenhuma ocupação com o radical “terap”, o que deixa de fora terapeuta holístico e massoterapeuta, e também não há ocupação de acupunturista.

Pela lista, portanto, terapeuta holístico não se formaliza como MEI nessa atividade. O enquadramento em outro regime e o código de atividade correto são assunto para o seu contador, com a lista vigente na mão.

Terapeuta pode? Título de doutor, laudo, diagnóstico e atestado

As perguntas que o Google sugere a partir de “terapeuta pode” tratam de palavras que, publicadas num site, mudam o que você está oferecendo. Abaixo, o que as fontes primárias sustentam e onde elas param.

O título de doutor

Não encontramos norma federal específica que regule o uso do título “doutor” por terapeutas fora das profissões regulamentadas. Isso é uma lacuna, não uma autorização.

O parâmetro que vale para qualquer divulgação é o CDC, que considera enganosa a publicidade capaz de induzir em erro sobre a natureza e as características do serviço. Na nossa leitura, um “Dr.” antes do nome pode levar quem lê a supor formação médica ou doutorado, e nesse caso pode esbarrar nessa regra. Se esse não é o seu caso, a apresentação mais segura é o nome seguido da prática e da formação que você tem.

Laudo psicológico

Laudo psicológico, não. A Resolução CFP nº 6/2019 regula os documentos escritos produzidos pela psicóloga e pelo psicólogo no exercício profissional e define, no art. 13, que o laudo psicológico é “o resultado de um processo de avaliação psicológica”. É um documento amarrado à profissão regulamentada de Psicologia.

Na divulgação, a consequência é direta: não ofereça laudo psicológico, nem use a palavra “laudo” de um jeito que sugira esse documento. Não verificamos regra específica sobre outros tipos de relatório escrito por terapeutas, e por isso não afirmamos nada sobre eles.

Diagnóstico: duas leis, duas respostas

Aqui entram duas leis, e a leitura precisa ser exata:

  • Diagnóstico psicológico é função privativa do psicólogo pela Lei nº 4.119/1962, art. 13, § 1º, alínea a.
  • Diagnóstico de doença: na Lei nº 12.842/2013, a Lei do Ato Médico, o inciso do projeto que colocaria o diagnóstico de doença e a prescrição terapêutica entre as atividades privativas do médico foi vetado e não chegou a vigorar. O que ficou privativo, no art. 4º, inciso X, foi a “determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico”.

O veto não quer dizer que o diagnóstico de doença seja livre: outras normas podem incidir sobre quem diagnostica ou trata doença sem formação para isso, e elas não foram verificadas nesta pesquisa. Para a divulgação, a orientação prudente é não oferecer diagnóstico de doença ou de transtorno, nem usar termos que sugiram isso.

Atestado de saúde

O atestado de saúde tem resposta na mesma Lei nº 12.842/2013: o art. 4º, inciso XIII, lista como privativa do médico a “atestação médica de condições de saúde, doenças e possíveis sequelas”. Se um documento de outra natureza, emitido por terapeuta, teria algum valor, não encontramos fonte primária que responda, e não vamos cravar regra onde ela não foi verificada.

Terapeuta sistêmico, de casal e de família: a fronteira com a psicologia

Quem trabalha com abordagem sistêmica, com casais ou com famílias divide vocabulário com a psicologia, e o autocompletar mostra que a dúvida existe. Ao digitar “terapeuta sistemico”, uma das sugestões é “terapeuta sistêmica é psicologo”. Em “terapia sistemica”, aparece “terapia sistemica é o mesmo que constelação familiar”. A fronteira importa para a divulgação, porque a lei reserva ao psicólogo algumas funções, e o jeito de descrever o serviço pode dar a entender que você exerce uma delas.

O que a Lei 4.119/1962 torna privativo do psicólogo

A Lei nº 4.119/1962 confere ao portador do diploma de psicólogo o direito de exercer a profissão de psicólogo (art. 13). O § 1º do mesmo artigo define como função privativa do psicólogo a utilização de métodos e técnicas psicológicas com quatro objetivos:

  1. diagnóstico psicológico;
  2. orientação e seleção profissional;
  3. orientação psicopedagógica;
  4. solução de problemas de ajustamento.

Um detalhe do texto: a palavra “psicoterapia” não aparece na lei. A exclusividade está escrita nesses quatro objetivos, e a forma como eles se aplicam a cada prática é questão de interpretação. Uma leitura ampla de “solução de problemas de ajustamento” pode alcançar trabalhos que se apresentam como terapia. Por isso o texto da lei, sozinho, não autoriza concluir que a terapia sistêmica, de casal ou de família seja livre para qualquer pessoa, nem o contrário.

Abordagem sistêmica não é registro profissional

Terapeuta sistêmica é psicóloga? Não necessariamente. “Terapeuta sistêmico” nomeia uma abordagem, não um registro profissional, e há psicólogos que trabalham com essa abordagem. O que identifica o psicólogo é o registro no conselho: o Código de Ética Profissional do Psicólogo determina, no art. 20, que o psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, informe o nome completo, o CRP e o número de registro.

Para quem escreve o site, a regra prática é simples: se você não tem esse registro, não se apresente como psicóloga ou psicólogo, e deixe clara qual é a sua formação. Se você é psicóloga ou psicólogo e trabalha com a abordagem sistêmica, as regras de divulgação são as do seu conselho, e o guia certo é o de SEO para psicólogos.

Constelação familiar e a Nota Técnica do CFP

O Conselho Federal de Psicologia publicou a Nota Técnica CFP nº 1/2023 sobre constelação familiar. A conclusão, no item 6.1, é que os conselhos federal e regionais de psicologia consideram a prática “no momento, incompatível com o exercício da Psicologia”.

Duas leituras erradas precisam ser evitadas. A nota não é uma proibição legal da constelação familiar e não se dirige a quem não é psicólogo: ela orienta psicólogas e psicólogos a não tratarem a constelação como prática psicológica. E a nota trata da constelação familiar, conforme o título e a conclusão do item 6.1; ler nela uma avaliação da abordagem sistêmica como um todo vai além do que esses trechos dizem.

Para o psicólogo, a nota se lê junto com o art. 20 do Código de Ética, que manda divulgar somente técnicas e práticas “que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão”.

O que isso muda na divulgação

No marketing para terapeutas sistêmicos, de casal ou de família sem registro no conselho de psicologia, cinco cuidados reduzem o risco de a divulgação cruzar esses limites, sem substituir a orientação de um advogado:

  • Nomeie a formação exata: o curso e a instituição em que você de fato se formou.
  • Não use “psicólogo” nem “psicóloga” em título, bio, nome de perfil ou anúncio.
  • Não ofereça diagnóstico psicológico nem laudo psicológico, e evite descrever o serviço como uma das funções que a Lei nº 4.119/1962 torna privativas do psicólogo.
  • Descreva o atendimento, não o resultado: para quem é, como funciona e o que ele não substitui.
  • Atende casais ou famílias num consultório? O Perfil da Empresa no Google pode fazer sentido para você, porque a regra pede contato presencial com os clientes durante o horário informado. Se o atendimento é só online, a regra do Google citada acima vale igual.

Perguntas frequentes sobre marketing para terapeutas

Terapeuta pode ser chamado de doutor?

Não encontramos norma federal específica sobre o uso do título por terapeutas fora das profissões regulamentadas, e lacuna não é autorização. Como o “Dr.” pode levar a supor formação médica ou doutorado, o uso pode esbarrar no Código de Defesa do Consumidor, que considera enganosa a publicidade capaz de induzir em erro sobre o serviço. Sem essa formação, prefira o nome seguido da prática.

Terapeuta pode dar laudo?

Laudo psicológico, não. A Resolução CFP nº 6/2019 define o laudo psicológico como o resultado de um processo de avaliação psicológica, dentro do exercício da Psicologia. Quem não é psicólogo não deve oferecer esse documento.

Terapeuta pode dar diagnóstico?

Diagnóstico psicológico é função privativa do psicólogo pela Lei nº 4.119/1962. Na Lei do Ato Médico, o inciso sobre diagnóstico de doença foi vetado, mas o veto não quer dizer que seja livre: outras normas podem incidir, e não as verificamos aqui. Na divulgação, não ofereça diagnóstico de doença ou de transtorno.

Terapeuta pode dar atestado?

A atestação médica de condições de saúde, doenças e possíveis sequelas é privativa do médico pela Lei nº 12.842/2013, art. 4º, inciso XIII. Sobre documentos de outra natureza emitidos por terapeuta, não encontramos fonte primária que responda.

Terapeuta holístico pode ser MEI?

Pela lista oficial de ocupações permitidas ao MEI, o Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, não: na leitura que fizemos em setembro de 2026, nenhuma ocupação com o radical “terap” aparece nela. O enquadramento correto é conversa para o seu contador, com a lista vigente.

Terapeuta sistêmica é psicóloga?

Não necessariamente. “Terapeuta sistêmico” nomeia uma abordagem, e há psicólogos que trabalham com ela. O que identifica o psicólogo é o registro: ao divulgar seus serviços, ele deve informar o nome completo, o CRP e o número de registro.

Quem atende só online pode ter Perfil da Empresa no Google?

Pela regra do Google, não. Para ter o perfil, o negócio precisa ter contato presencial com os clientes durante o horário informado. Quem atende presencialmente e também online pode usar o perfil para a parte presencial.

O próximo passo

Resumindo. Marketing para terapeutas começa pelo vocabulário de quem procura a terapia, se apoia num site que responde as perguntas antes do primeiro contato e usa o Google dentro da regra de cada superfície: o Perfil da Empresa para quem atende presencialmente, o conteúdo para todos.

E guarde a outra metade: não ter conselho não tira o terapeuta do Código de Defesa do Consumidor nem da LGPD, e alguns atos, como o diagnóstico psicológico e a atestação médica, pertencem por lei a outras profissões. Divulgar bem, aqui, é descrever com precisão o que você faz.

Se você quer entender onde o seu trabalho aparece hoje no Google e nas respostas das IAs, o Diagnóstico Estratégico é a porta de entrada: uma reunião gratuita, de quarenta e cinco minutos, em que olhamos a sua presença atual e os concorrentes antes de propor qualquer trabalho. A partir daí fica claro se o caso é começar pela criação do site, pelo Google Meu Negócio ou pelo Método Dominus, o nosso ciclo de doze meses.

Sobre o autor

Cléviston Pierobom é Consultor de SEO para IAs, especializado em posicionar profissionais liberais e empresas no Google e nas respostas das IAs (ChatGPT, Perplexity, Gemini, Google AI Mode). É fundador da Pier Digital, sediada em Pelotas – RS, com atuação em todo o Brasil.

Criador do Método Dominus, sistema proprietário de 12 meses que integra criação de sites com fundação técnica para SEO, otimização de Google Meu Negócio e estratégia contínua de conteúdo. Conheça a trajetória de Cléviston Pierobom ou solicite um Diagnóstico Estratégico gratuito.

 

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